sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Alfinetadas ou caneladas da Cris?


Ae, descobrindo as (f) utilidades de um blog! Vou falar de cinema hoje. Fui assistir ontem "Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street"
um filme de Jonny Depp dirigido por Tim Burton, dois nomes que, independente do que se ponham a fazer, são (seriam) garantia de público.
Bom, vualá:

Quem conhece "Edward Mãos de Tesoura", "A lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" ou "A fantástica fábrica de chocolate" pode esperar a mesma linha em "Sweeney Todd". Esse trabalho de parceria entre Johnny Depp e Tim Burton (a sexta dos dois) recebeu três indicações ao Oscar: melhor ator para Depp, melhor figurino e melhor direção de arte.
A adaptação para o cinema do musical de Stephen Sondheim (na onda hollywoodiana de adaptar musicais para o cinema) "Sweeney Todd" não é gracioso, muito menos esbanja luxo, coreografias e músicas fáceis. O longa é um filme que fala de morte, de assassinato, de desgraça e tragédias da vida humana, muito bem relacionadas com qualquer tema da atualidade, o que me fez rir muito no cinema. Mas aí vai muito do gosto e da tolerância do público. Um filme limitado e de trama funcional, ao ouvir o jovem ator Jamie Campbell Bower cantar "I seeeee you, Johaaaaaanna" pela quinta vez pode fazer de Sweeney Todd uma experiência enfadonha para quem já se indispõe de antemão com o cancioneiro (como um certo amigo meu que reclamou horrores no cinema). Não entram numa crítica esses tipos de gostos e julgamentos. O que a crítica pesa é se o filme cumpriu ou não aquilo que propunha, e Burton executou o plano notavelmente, no filme o cineasta mantém uma Londres negra abaixo das aspirações de seus personagens. Sweeney vive em constante escuridão, esclarecida só pela cor pálida de seu rosto. Mrs. Lovett (a Belatriz Lestrange geentem!) e seus cabelos ruivos se sobressaem junto as olheiras pesadas. Burton capta o filme em tonalidades monocromáticas que só ganham cor, seja sépia ou o colorido em si, quando há justificativa. Nos flashbacks da história, a felicidade de Sweeney tem vivacidade em cena, e o mesmo acontece com as cenas projetadas por Mrs. Lovett para o futuro. O presente, senhor de todas as desgraças do protagonista, é preto e branco. As pessoas continuam sendo terríveis, vivendo falsamente com seus pecados; entretanto, Burton falha ao conduzir o humor natural de Mrs. Lovett. Ainda no elenco, Alan Rickman(o Snape geentem!) e Timothy Spall (o Pedro Pettigrew gentem!) repetem papéis anteriores em suas carreiras, e Sacha Baron Cohen (é, o Borat) mostra ser multiuso no cinema, apesar de encarar um personagem caricato. Quem desagrada completamente é o casal Jayne Wisener e Jamie Campbell Bower. Ela por não ter talento como atriz, sem o mínimo de naturalidade em cena (mas tem um cabelo e nariz perfeitos), e Bower por ter sua capacidade prejudicada por Wisener, já que o ator tem um bom timbre e linguagem cênica.


Na real, o Lost hoje estava BEM melhor.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dos seres confusos


Ahn, uma tristeza não ser compreendido... Afinal quando se escreve algo o mínimo exigível é que alguém entenda ao menos o título; devo ser infinitamente confusa e/ou complexa aos olhos alheios. O que realmente esperam que eu escreva aqui? Que eu diga meus segredos e pontos fracos? Que publique coisas íntimas? Hahaha, acho a maior graça! Não tenho um blog para esse tipo de coisa... Mas me vem à mente aquele poeminha daquele escritor: "As coisas que amamos, as pessoas que amamos, são eternas até certo ponto. Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade. Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra maneira se tornam absoluta numa outra (maior) realidade. Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nos cansamos, por um outro itinerário, de aspirar a resina do eterno. Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária e baixamos o amor ao estado de utilidade. Do sonho eterno fica esse gozo acre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar"

Devo sempre escrever algo para que alguém se sinta atingido de alguma forma? Quintana dizia algo parecido... rs Mas o pior que não ser entendido é ser mal compreendido... Oh vida!
Mas mudando o rumo da prosa, tenho escutado uma música do Cazuza, (pra variar...) que tem "tirado as palavras da minha boca" hahaha, é sempre bom quando escutamos algo que pensamos, não?
Vou colocar uma música (ou o hit do momento) dele que dedico a alguém que morreu, rs.


O mundo é um moinho
Cazuza
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querido
Embora saiba que estás resolvido
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.
Preste atenção querido
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés... ♪

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

textos da noite de ontem


Esta noite procuro alguém que me convença suficientemente, a não querer recomeçar... Isso não se deve, como alego por muito tempo, a uma afirmativa sem fim entre a sinceridade de uma fala a encontrar e o artifício de uma escrita preocupada exclusivamente em erguer suas muralhas: é algo ligado à própria coisa escrita, tanto ao projeto da escrita como ao projeto da lembrança.
Não sei se não tenho nada a dizer, sei que não digo nada; não sei se o que teria a dizer não é dito por ser indizível (o indizível não está escondido na escrita, é aquilo que muito antes a desencadeou); sei que o que digo é branco, é neutro, é signo de uma vez por todas de um aniquilamento de uma vez por todas.
É isso o que eu digo, é isso o que escrevo e é somente isso o que se encontra nas palavras que traço e nas linhas que essas palavras desenham e nos brancos que o intervalo dessas linhas deixa aparecer: por mais que eu persiga meus lapsos ou passe duas horas matutando sobre qualquer coisa a escrever, ou busque em minhas frases, para evidentemente logo encontrá-las, as ressonâncias miúdas do Édipo ou da castração, sempre irei encontrar, em minha própria repetição, apenas o último reflexo de uma fala ausente na escrita, o escândalo do silêncio deles e do meu silêncio: não escrevo pra dizer que não direi nada, não escrevo para dizer que não tenho nada a dizer. Escrevo: escrevo porque vivo, porque sou uma no meio de multidões, sombra no meio das sombras, corpo junto de corpos; escrevo porque deixaram em mim uma marca indelével e o vestígio disso é a escrita: a lembrança de algo está morto na escrita; a escrita é a lembrança da morte e a afirmação de minha vida.

Na verdade, acho que preciso de um copo de cerveja de um boteco bem esfalfado...
Um brinde e boa noite.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ê insônia...

"Alguns leitores deste blog entraram em contato com o Google porque acreditam que o conteúdo do blog é questionável. Em geral, o Google não revisa nem endossa o conteúdo deste ou de qualquer outro blog. Para saber mais sobre nossas políticas de conteúdo...blá blá blá"

Nossa, mal comecei o blog e já estou sendo alertada de que há leitores chatos que não têm o que fazer além de criticar postagens alheias... Bah quanta chatice!

Mas mudando totalmente o rumo da prosa, tenho escutado tanto Toquinho e Djavan que estou meio sensível (o que é muito difícil, acreditem!). Gostaria de colocar aqui uma das músicas mais belas da MPB na minha humilde opinião, chama-se "Se Acontecer" do tão aclamado músico alagoano Djavan, personalidade ímpar no cenário da música brasileira e do planeta. Vale a pena degustar de uma de suas canções que traz o sabor do amor e da natureza alagoana, a alma afro-brasileira e o timbre de poeta dos sons múltiplos de uma vida daqui e de qualquer lugar (exagerei?). Tá certo que essa música não é nenhuma novidade para os amantes de boa música, mas acho que ela se encaixa perfeitamente no momento em que vivo (todo mundo que anda escutando uma música meio fossa diz isso, né?).
Então vou me despedindo por aqui, minha insônia está indo embora e minha cama me chama... Até a próxima pessoar!
Bom aí vai a letra:


Se Acontecer
Composição: Djavan
As estrelas brilham sem saber
Mas cada vez melhor
Pois foi só você aparecer
Todas desceram pra ver você brilhar de cor
O que mais chamou minha atenção
Sua expressão sutil
Isso eu já não posso esquecer
Porque não foi só visão, o coração sentiu
A tenda da noite
Enche de sombra um sonhar vazio
Percorri tantas fontes
Até ver você
Sair do nada pros meus horizontes
Que amanhã, pura e sã, com as mãos de jasmim
Vá roçar seu rosto
Pro amor ardente despertar por mim
Deus é pai, vai saber
Se acontecer
Serei seu até o fim
Em tempo de chuva
Que chova
Eu não largo da sua mão
Nem que caia um raio
Eu saio
Sem você na imaginação... ♪

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O começo (?)


Nossa, primeira postagem é difícil, nunca se está contente com o que se escreve... Na verdade nem quero que ninguém leia mesmo.
Francamente, não sei onde terminam as lembranças e começa o domínio de minha imaginação que inventou ou trabalhou as histórias que tenho pra contar, mas tudo foi possível conciliando veracidade e verossimilhança, reflete a época e as vivências. Nem pretendo fazer promessas (típicas de políticos) porque tenho certeza de que não as cumprirei, então não espere uma ordem cronológica, não estou transcrevendo um diário muito menos estou aqui para expor algo íntimo, rs.

Mas pretendo mesmo deixar frases legais, algo que faça o tão ilustríssimo leitor pensativo, afinal esse é o objetivo daqui, não é?

Bom, já desistindo desse 1º post sufocante, finalizo com um texto que achei em um antigo diário meu no rodapé de uma página cheia de coraçõeszinhos e desenhos sem nexo algum: "William Wordsworth, um dos maiores poetas ingleses (morto em 1850), disse uma frase que, tempos depois, Machado de Assis, talvez o maior nome da nossa literatura, repetiria em 'Memórias Póstumas de Bás Cubas': 'O menino é o pai do homem.'"